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Nubank recebe aporte de US$ 500 milhões de Buffett e já vale mais que XP e Banco do Brasil

Com investimento, start-up brasileira atinge valor de mercado de US$ 30 bilhõeS e se torna o 4º maior banco da América Latina. Analistas veem abertura de capital próxima

O bilionário Warren Buffet, dono da gestora Berkshire Hathaway, é um dos homens mais ricos do mundo Foto: AFP

O bilionário Warren Buffet, dono da gestora Berkshire Hathaway, é um dos homens mais ricos do mundo Foto: AFP

Henrique Gomes Batista

O GLOBO

SÃO PAULO – O Nubank anunciou nesta terça-feira ter recebido um aporte de US$ 500 milhões da Berkshire Hathaway, a gestora do bilionário Warren Buffett, e outros US$ 250 milhões da americana Sands Capital em parceria com as brasileiras Verde Asset e Absoluto Partners. Com isso, o banco digital brasileiro, start-up considerada um “unicórnio” por ter ultrapassado a valorização de US$ 1 bilhão em 2018, atinge agora valor de mercado de US$ 30 bilhões.

A operação coloca o Nubank na posição de quarto banco mais valioso da América Latina, na casa dos R$ 150 bilhões. A instituição, assim, só vale menos que o Itaú (cerca de R$ 280 bilhões), o Bradesco (R$ 230 bilhões) e o Santander Brasil (R$ 170 bilhões), segundo dados da Empiricus.

Está na frente do Banco do Brasil (R$ 103 bilhões) e de instituições financeiras como XP (R$ 115 bilhões) e BTG (R$ 112 bilhões).

Para muitos analistas, isso é um indicativo se que o Nubank, em breve, deverá abrir seu capital. O perfil dos novos investidores, que atuam mais em Bolsas de valores, seria uma sinalização deste provável futuro movimento.

Buffet é um dos homens mais ricos do planeta, com fortuna superior a US$ 100 bilhões. Tem negócios em sociedade com o 3G, fundo do também bilionário brasileiro Paulo Lemann. Mas investimentos diretos pelo americano em empresas brasileiras são raros, o que mostra o bom momento do Nubank.

Maior banco digital autônomo do mundo

O Nubank se diz o maior banco digital autônomo no mundo e com a maior carteira de clientes: 40 milhões de correntistas. Nos cinco primeiros meses do ano, a instituição conseguiu crescer a um ritmo de 45 mil novos clientes por dia.

Além disso, dentro de sua nova estratégia de seguros, o Nubank – que também atua na Colômbia e no México – somou 100 mil apólices em três meses.

O desempenho no Nubank é visto com cautela por analistas. Para Max Bohm, da Empiricus, faltam fundamentos claros para que o banco valha mais que XP, BTG ou Banco do Brasil

– A questão é que estamos falando de um banco que tem apenas prejuízos. Não vejo fundamentos para que uma instituição que deva ter uma nova perda anual na casa dos R$ 300 milhões valer mais que outras que lucram bilhões – disse ele.

Bohm acredita que é preciso ver qual a motivação dos fundos que fizeram os aportes: acreditam que o Nubank vai se valorizar ainda mais ou apenas estão pensando em uma eventual abertura de mercado da empresa?

Se a ida à Bolsa ocorrer em uns 12 meses, como estima o mercado, conseguirão obter uma boa rentabilidade por esses aportes?

Bohm aposta na segunda opção. Para ele, o Nubank terá muita dificuldade de obter rentabilidade, pois, para isso, teria que passar a cobrar por produtos e serviços em um ambiente de alta competição, onde seus clientes poderiam migrar facilmente para outras instituições como Banco Inter ou Picpay.

Cofundador do Nubank, David Vélez diz que "ainda há muito a fazer" Foto: . / ReproduçãoCofundador do Nubank, David Vélez diz que “ainda há muito a fazer” Foto: . / Reprodução

Apesar de estar ampliando a gama de serviços, o Nubank ainda não teria, em sua opinião, uma gama de clientes tão fiel quanto as instituições tradicionais do país.

Aporte de US$ 2 bilhões em 8 anos

Os US$ 750 milhões anunciados hoje são uma extensão da captação de série G anunciada em janeiro pelo banco, ou seja, a sétima linha de capacitação da instituição.

Na operação inicial desta série, o Nubank levantou US$ 400 milhões. Com o capital adicionado agora, a rodada totaliza US$ 1,15 bilhão, mais da metade do que o Nubank levantou ao longo de toda a sua história.

“O Nubank estabeleceu um novo paradigma no mercado, que tem obrigado todos os players a revisarem seus processos e produtos. E, como costumo dizer, para nós, no Nubank, ainda é o primeiro dia. Ainda há muito a fazer”, afirmou , em nota, o fundador e presidente do Nubank, David Vélez.

Criado em 2013, com um aporte de US$ 2 milhões, o Nubank teve crescimento exponencial. Já em 2014, recebeu uma nova injeção de US$ 15 milhões e, no ano seguinte, mais US$ 82 milhões.

Nubank captou US$ 400 milhões e mais US$ 750 milhões em junho. Está avaliado em US$ 30 bilhões Foto: DivulgaçãoNubank captou US$ 400 milhões e mais US$ 750 milhões em junho. Está avaliado em US$ 30 bilhões Foto: Divulgação

Esses valores foram crescendo até a chamada “série G” de levantamento de capital do banco e somam cerca de US$ 2 bilhões ao longo desses oito anos. O objetivo da instituição é acelerar o crescimento.

Vélez lembrou que cerca de 50% da população da América Latina ainda não têm conta bancária. A penetração do cartão de crédito é de, em média, 21%, enquanto nos Estados Unidos este número bate 70%.

“Este novo financiamento vai nos ajudar a manter democratizando o acesso aos serviços financeiros em toda a região. Temos a honra de receber um investidor de classe mundial para nos apoiar nessa jornada ”, acrescentou o executivo em nota.

 

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